terça-feira, 20 de março de 2012

Um tesouro à lareira

Empadão de alheiras e grelos

Cozer as batatas e reduzir a puré. Reservar.
Cortar as alheiras em pedaços e aquecer na sertã. Reservar.
Cozer levemente os grelos e saltear em azeite e alho.
Numa taça própria para forno e untada deve-se colocar uma camada de puré seguida das alheiras e os grelos. Terminar com uma camada do restante puré. Pincelar com um ovo batido e levar ao forno.



É a especialidade de alguém que cozinha mas não sabe cozinhar e que tem como uma das atividades preferidas, comer. Eu. Trata-se de uma adaptação do meu prato favorito: batatas cozidas com alheira e grelos. Um prato tipicamente transmontano e que fica especialmente bom, muito bom quando cozinhado à boa maneira transmontana: batatas cozidas em pote de ferro e alheiras aquecidas numa grelha, tudo com o calor da fogueira.  E acreditem que faz toda a diferença no sabor final.
Sou uma priveligiada na origem das minhas raízes, sem dúvida. Um tesouro, o meu tesouro.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Para fazer crescer...o coração

Não sei se nos deitámos cedo, mas acordámos cedo para respirar ar puro e fresquinho e receber daquilo que faz crescer o coração...


3 bons pedaços de carne, da melhor

Quilos de boa disposição

Toneladas de risos

Uma pitada de desorientação geográfica

NOTA: Não faço a mínima ideia de quando escrevi este texto nem sequer a que se refere, mas parece-me ter sido muito bom e por isso não o podia deixar escapar!

O primeiro lugar da fila

Muitos anos depois da minha última postagem, tive que voltar. Porque sim e porque vi um filme que obrigatoriamente tinha que partilhar e aconselhar vivamente a quem possa ainda eventualmente ler este meu blog.
Percebi que rumo contra a crítica cinematográfica, ou pelo menos contra este crítico que ouvira uns dias antes da minha odisseia pelas salas de cinema. E porquê? A sua ordem decrescente de interesse por estes três filmes era a minha ordem crescente. "A Invenção de Hugo", o filme imperdível indicado para todas as gerações, vazio para mim. Previsivel. Saí desiludida, sem perceber o alarido à volta do filme. " A Dama de Ferro",  um filme biográfico de uma personalidade forte muito bem interpretado por um igualmente forte atriz.  "Extremamente alto, incrivelmente perto", sublime. Talvez seja por me sentir confortável e em segurança perante a transparência e espontaneidade e este filme estar repleto delas na personagem da criança. Certamente pela interpretação da grande criança que a personifica. E sim, pela maneira como me foi contada a história. Fez-me chorar. Não pela tristeza das cenas em que surgiram as lágrimas. Nem me lembro bem, agora que volto lá, em que momento apareceram. Mas chegaram sem pedirem autorização. Sairam e sairiam compulsivamente se as deixasse. Foi mais um desses filmes. Aqueles que vão tocar não se sabe onde, na alma talvez, seja lá isso o que for e onde for. Mas são certeiros. A mensagem subliminar que não conseguimos ver, ouvir ou compreender na altura mas que existe e sabe o caminho certo para se mostrar presente. Não sei se são lágrimas de tristeza, não me parece. Por vezes vêm até com alegria. Sabem a libertação. E nesses momentos agradece-se por se ter escolhido o primeiro lugar da fila da sala de cinema de um pequeno teatro e por se estar sozinha. Porque essas lágrimas não se querem olhadas, explicadas ou justificadas. São minhas e não se querem partilhadas. E se não as deixei sair como queriam foi porque não estava sozinha nem no primeiro lugar da fila de uma sala de cinema de um pequeno teatro.