Muitos anos depois da minha última postagem, tive que voltar. Porque sim e porque vi um filme que obrigatoriamente tinha que partilhar e aconselhar vivamente a quem possa ainda eventualmente ler este meu blog.
Percebi que rumo contra a crítica cinematográfica, ou pelo menos contra este crítico que ouvira uns dias antes da minha odisseia pelas salas de cinema. E porquê? A sua ordem decrescente de interesse por estes três filmes era a minha ordem crescente. "A Invenção de Hugo", o filme imperdível indicado para todas as gerações, vazio para mim. Previsivel. Saí desiludida, sem perceber o alarido à volta do filme. " A Dama de Ferro", um filme biográfico de uma personalidade forte muito bem interpretado por um igualmente forte atriz. "Extremamente alto, incrivelmente perto", sublime. Talvez seja por me sentir confortável e em segurança perante a transparência e espontaneidade e este filme estar repleto delas na personagem da criança. Certamente pela interpretação da grande criança que a personifica. E sim, pela maneira como me foi contada a história. Fez-me chorar. Não pela tristeza das cenas em que surgiram as lágrimas. Nem me lembro bem, agora que volto lá, em que momento apareceram. Mas chegaram sem pedirem autorização. Sairam e sairiam compulsivamente se as deixasse. Foi mais um desses filmes. Aqueles que vão tocar não se sabe onde, na alma talvez, seja lá isso o que for e onde for. Mas são certeiros. A mensagem subliminar que não conseguimos ver, ouvir ou compreender na altura mas que existe e sabe o caminho certo para se mostrar presente. Não sei se são lágrimas de tristeza, não me parece. Por vezes vêm até com alegria. Sabem a libertação. E nesses momentos agradece-se por se ter escolhido o primeiro lugar da fila da sala de cinema de um pequeno teatro e por se estar sozinha. Porque essas lágrimas não se querem olhadas, explicadas ou justificadas. São minhas e não se querem partilhadas. E se não as deixei sair como queriam foi porque não estava sozinha nem no primeiro lugar da fila de uma sala de cinema de um pequeno teatro.
1 comentário:
Amiga...esta visão lembra-me alguém há muitos anos que correu a sair de um filme...Para lá do horizonte!!!Não sei em que fila estavas na altura mas sei que o filme te atingiu, revolveu e virou ao contrário como se fosse na primeira fila, ao centro...diria A6!!
Este filme de que falas...que não vi...no minimo...depois de te ler...dá-me vontade de sair a correr de casa e ir vÊ-lo...sofregamente...num cinema perto de mim...Volta a escrever e já tens aqui uma fã!!! Beijinhos
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