Comecei com ela este hábito de ouvir com mais atenção alguma frase ou olhar de vez em quando para alguém e fotografar mentalmente esse momento. Para mais tarde recordar essa pessoa assim. Gravei-a uma vez a deitar-se, tinha posto uns ganchinhos no cabelo. Parecia uma menina de cabelos brancos. Tão menina que estava! Ou um telefonema em que me dizia não importa onde o que interessa é que estejas bem ou feliz. Foi uma menina mimada na sua familia e uma mulher mimada no casamento. As coisas tinham que ser como ela queria ou achava melhor. E se calhar estava bem assim, porque até Deus lhe deu a morte que ela queria.
Também havia as trouxas de bacalhau...hmmmm!!! Que petisco! E a broa frita ao jantar com um ovo estrelado. O arroz de frango, os bolos de bacalhau. Únicos! O leite do pequeno-almoço nas chávenas castanhas e o pão, papo seco, do lanche que só sabia assim na casa dela. Incutiu-me o gostinho de um lanche na confeitaria. A escolha era sempre a mesma e também isso ficou. Por isso é que de vez em quando vou lanchar sozinha e peço uma torrada (fatias de pão altas) e um galão. E assim já não estou sozinha. Estou acompanhada pela minha avó.
O avô e os avós paternos ficam para outro dia.

1 comentário:
Que bonito amiga...adorei o texto.Beijinhos
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