segunda-feira, 23 de abril de 2012

Piqueniques

Bolos de batata...eram tão bons!!! Fazia-os a minha avó quando iamos de piquenique para as Pedras Salgadas. Sentávamo-nos debaixo do imenso arvoredo, fresquinho. As imagens são turvas. Estavam lá ela e o avô com o seu chapéu. E com a tia ia depois apanhar umas flores brancas que se deixavam secar. Lembro-me de as ver desde sempre em casa dos avós. Experimentei a água termal. Podia-se beber. Não creio que tenha achado muita piada ao sabor. Não fazia mal, tinha os bolos de batata! E o piquenique valia por tudo, mas sem dúvida que uma grande parte do prazer vinha das delicias da minha avó.
Comecei com ela este hábito de ouvir com mais atenção alguma frase ou olhar de vez em quando para alguém e fotografar mentalmente esse momento. Para mais tarde recordar essa pessoa assim. Gravei-a uma vez a deitar-se, tinha posto uns ganchinhos no cabelo. Parecia uma menina de cabelos brancos. Tão menina que estava! Ou um telefonema em que me dizia não importa onde o que interessa é que estejas bem ou feliz. Foi uma menina mimada na sua familia e uma mulher mimada no casamento. As coisas tinham que ser como ela queria ou achava melhor. E se calhar estava bem assim, porque até Deus lhe deu a morte que ela queria.
Também havia as trouxas de bacalhau...hmmmm!!! Que petisco! E a broa frita ao jantar com um ovo estrelado. O arroz de frango, os bolos de bacalhau. Únicos! O leite do pequeno-almoço nas chávenas castanhas e o pão, papo seco, do lanche que só sabia assim na casa dela. Incutiu-me o gostinho de um lanche na confeitaria. A escolha era sempre a mesma e também isso ficou. Por isso é que de vez em quando vou lanchar sozinha e peço uma torrada (fatias de pão altas) e um galão. E assim já não estou sozinha. Estou acompanhada pela minha avó.


O avô e os avós paternos ficam para outro dia.

1 comentário:

Anónimo disse...

Que bonito amiga...adorei o texto.Beijinhos