"Misca-te daqui ... marau endiabrado! Que já não sabe que mais há-de fazer este diacho! " - era assim o dia a dia do António Pezinhos.
Traquinas como só ele, tinha um invejável rol de diabruras : na semana anterior, sabendo que a reguada da professora Isilda seria inevitável, lembrara-se de untar as mão com azeite - a régua somente deslizou na sua mão; a dor, no entanto, foi bem inflingida na coxa da pobre senhora que, já próxima do esgotamento, se despediu no momento. Outra vez atiçou uma cobra que, baralhada, investiu sobre quem lhe pareceu ser o atacante ( nunca tal velocidade se tinha visto antes daquela corrida de Anita!); e para resumir os factos( sim, que não há tempo para tantos), há só mais aquele dia em que a meia dúzia de ovos que a D. Fátima - mãe de António e Gizela - pedira aos filhos para trazerem da mercearia, acabou servindo de champô à menina - tanto espicaçou o irmão ( que até estava apostado em contar até mil e acalmar-se: as nádegas ainda doíam do dia anterior! ), que, já irado, foi quebrando os ovos, um a um, como se um bolo estivesse a preparar.
Infelizmente para todos - que não havia ninguém naquela aldeia que não tivesse algum episódio com António -, ele era também dono da mais cativante e alegre gargalhada que alguma vez se ouvira por ali e arredores. A aldeia calava-se para a escutar e deixar-se enfeitiçar: Pezinhos era perdoado.
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