Hernâni era assim: um pangaio. O mandrião lá da aldeia: nunca se prestava a nada, escapulindo-se a qualquer ameaça de trabalho ... um inútil para a comunidade que se pavoneava de costa direita; orgulhoso da vida de refestelo permanente que conseguira anos atrás.
Cândida - moça delicada na estatura, imensa na beleza - fora trazida pelos seus tios, seus únicos familiares, para Porrais após a trágica morte dos pais. A sua natural candura - cedo evidente no nascimento e que decidiu, logo aí, o seu nome - conquistara a simpatia de todos os criados da casa; como Maria, a romântica e imaginativa Maria, que acompanhava todos os seus cozinhados com uma história de amor - seria este o motivo pelo qual tanto se suspirava naquela casa? -; enchendo a cabeça da menina de desejos de encontro com o seu príncipe.
Apesar das vãs tentativas da família e dos desesperados conselhos de Maria (que, agora, provocava choros angustiados em todos os que provavam os seus pratos regados de lágrimas de culpa) para o impedir: não foi difícil para Hernâni conquistar Cândida e com ela a vida que tanto almejara.
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