domingo, 17 de novembro de 2013

Tropear com botas de montar

Discutia com Natália, a governanta, os últimos detalhes para o jantar dessa noite que trazia distintos convidados à residência da família Oliveira Afonso. Carmen era uma excelente anfitriã (seguramente influenciada pelas suas raízes transmontanas); recebia, fosse quem fosse, com o mesmo caloroso empenho: apenas com o intuito de ver a genuína satisfação estampada nos rostos dos presentes. Ainda que o bom gosto do serviço fosse indiscutível: era , de facto, a sua alegria e entrega que tornavam sempre irrecusável qualquer convite.
Embrenhadas na sua tarefa, foram subitamente surpreendidas pelo tropear barulhento e inconstante que vinha do corredor; à sua frente surgia uma vitoriosa, ainda que trapalhona, Cândida  - olhos azuis esbugalhados, perdidos entre os muito desgrenhados cachos louros - que, determinada e no cimo dos seus orgulhosos 4 anos, afirmou: - "vou ser tratadora de cavalos!".
Para tornar, ainda mais, convincente a sua declaração decidira calçar as botas (enormes!) de montar do pai  ; situação que deixou as suas espectadoras com grande dificuldade em manterem a seriedade que tal manifesto exigia: a pequenina tinha trocado a lateralidade das botas!

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