quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Quiara

Entrei na sua casa - que guardava zelosa - e deixei-me ficar a olhá-la; aproximou-se , ainda desconfiada e intrigada, para me cheirar: para me conhecer as intenções. Aceitou-me, de orelhas descaídas, segura, sem sinais de perigo aparente - o odor - tranquilizou.
Uma figura elegante: se era uma princesa! Delicada e discretamente distante, emocionalmente equilibrada, sobressaía na matilha de três; habituada à disciplina e obediência - típica escola suíça - estranhava os companheiros; tão nervosamente inquietos, teriam medo?
Crescemos juntas ( numa entrega mútua),  brincámos e mimámo-nos desinteressadamente - como boas amigas ...
Deixou-me, sem avisar, apenas com um olhar. Acompanhavam-me ao portão: olhos castanhos redondos e vivos, inquisidores determinados e hipnóticos , perguntavam se voltaria; acontecia, quando ia de férias, que o sol ia e vinha - assim contava o tempo -, os carros passavam sem pararem, mas eu escondia-me, não chegava: hoje abri o portão, ela dormia.
Descansava para sempre.

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