segunda-feira, 4 de novembro de 2013

AXIA

Era ali, na marina, que todos os dias procuravam novas pinturas deixadas por zelosos e bravos marinheiros; motivo de conversas fantasiosas sobre destinos e embarcações.
Naquele dia foi uma estranha bandeira que as atraiu; sobre um fundo azul luzia a estrela arpeando os curiosos com os seus raios, numa mistura de tons laranja e branco.
Foi certeiro o arpão nestes três espíritos aventureiros: ergueram-se olhares mastros acima;  admiraram-se linhas e cores; despertaram-se desejos de partida mar fora, vencendo ventos e imponentes vagas ao seu comando.
Estendia-se, esguio, pelo deque; revelando na proa o nome ladeado por dois cavalos marinhos discretamente desenhados com a cor verde: Axia.
Ao lado, sentadas sobre os calcanhares, duas meninas, com as caras perdidas entre caracóis despenteados, deixavam a pintura do seu veleiro no chão da marina; contara-lhes o pai que, se o fizessem, a viagem seria sempre abençoada pela sorte.
Percebendo-se observadas sorriram e convidaram as três amigas a juntarem-se-lhes na sua tarefa; seguiram-se horas de histórias de birras e alegrias, temporais, golfinhos e baleias, iniciadas nas ilhas Marshal meses antes.
Interrompidas pelo comandante; desfizeram o grupo e partiram, felizes por mais uma aventura.

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