quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A carta de amor mais ridícula do mundo

Sentia-me observado, já há algum tempo, por aqueles olhos de café amendoado; encorpado com a intensidade dos grãos de tranquilidade que correm no sangue de quem, finalmente, chegou a casa - ou como os ingleses tão bem dizem: home. Sorriu suavemente, sabendo exatamente o que lhe queria dizer: e essa foi a mensagem que tatuou na minha pele frágil e enrugada de simples e tosco guardanapo de papel. 

           Não preciso de ti.
              A minha vida não acaba se não estiveres.
                Não és o ar que respiro.

                  Amo-te...finalmente, amo-te.

Amarrotou-me numa pequena bola e, quando ela chegou, abriu-lhe a mão e entregou-me com um beijo: " para quando chegares a casa", disse.
Ela correu, apressada, para casa - felizmente, que me estrangulava de tanto apertar! Leu-me, verteu-me uma gota gorda de incredulidade feliz e num dos encontros que se seguiram respondeu-lhe: "sim, aceito".

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