segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Folga

Foi-me dada a possibilidade de escrever um texto livre - com duzentas e cinquenta palavras, mas livre de tema. E se o tema que escolher me inspirar de tal maneira que os dedos vão correndo atrás das ideias que rebentam como pipocas, completamente aleatórias, sem avisar o que traz e donde vem a próxima? De tal maneira que, quando der por ela, já lá vão duzentas e cinquenta páginas ; de tal maneira que olhando para trás seja impossível resumir,  porque tudo o que está escrito é importante e tem que ser passado para o mundo. Dizem-me:"tens que ser mais sucinta, dizer mais com menos, limpar o texto de gorduras ...". Não! Não há gorduras...todas estas palavras, todos estes pontos e vírgulas, reticências e travessões estão onde devem estar, onde o cosmos (quem ?)  os pôs: num testemunho bem musculado daquilo que sou, que quero que saibam que sou; daquilo que se vai cozinhando na minha oficina de criatividades. Se tirar aquela palavra, aquele "se", não vai ser o mesmo: a força da ideia não vai passar. 
"Tens que respeitar as regras: é assim". Castradores! 
Enfim...talvez tenham razão, talvez não. Ontem, se calhar não. Hoje, por sorte deles ou simplesmente a científica coincidência, sim. Os meus neurónios não se entendem: atiram-me contra a parede Este, faço ricochete...Sul, não resulta; Norte, não vale a pena; Oeste...demasiado forçado. Entendam-se olhinhos bipedunculados enquanto eu fico aqui, quietinha no meio da sala, à espera de ser chamada ao quadro: hoje a inspiração tirou folga.

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